Contra Passo

Novembro 18, 2007

Às vezes me pego pensando em coisas que não deveria
E em um susto distante, suspenso fico em tristeza
Acendo um cigarro e o bom humor segue além do controle
E vai, junto ao lixo de vida cotidiana que ainda resta

É esse desconforto e essa falta que sempre falta
Um medo tão lindo da deficiência e que alimenta
A fome do universo que vive aqui dentro, no caos

E no pensar, que pensar é viver sempre no erro
Sem a traição de um ciúme cretino da misantropia

(Re)Volto, contudo, para a realidade passada do já

Viomersivo

Março 11, 2007

Hoje acordei com preguiça de viver
Com ódio de uma vida inerte
Tendo que sorrir para a mediocridade
E saudar a hipocrisia mundial
A vida é uma mentira absoluta
Queria acordar e ver todos sem máscara
Orgias na rua e flores no canteiro
Crianças sem fome batendo em velhinhos pedófilos
Não acordar e não pensar em dias como esse
É uma verdade negada

69 Ton Bomb

Fevereiro 26, 2007

Um Beijo amargo-troncoso
Outro beijo vulcânico-salgado
Junto ao beijo umbigo-longe-do-outro-umbigo
É chique, é agridoce…

Um macio fruta-cor
Flambado com vanilla e cloro
Ora rápido, ora lento
Uma hora não se sabe mais nada
E, então: Boom-boom-boom

Recaída

Fevereiro 2, 2007

Estás muito indiferente
Eu calarei minha dor
Nada apagará o que se sente
Nem teu golpe com furor

Mas perdoarei, pois amo
E tua covarde traição
Esquecerei com os anos
Minha cara, amante, solidão

Prazer em conhecer

Janeiro 31, 2007

Eu sou um estranho para você
Vou-me infiltrando aos poucos
Primeiro bato na porta
Toco a campainha várias vezes
Sem pressa, repito se não atender
Depois limpo os pés no tapete
Mas quando entro em sua morada
Dela sou dono e nela mando
Perco totalmente a educação
Sujo brutalmente a casa inteira
E vou embora… e saiba agora
Não sou mais estranho um para você

Agradecimento

Janeiro 22, 2007

Masturbação Cerebral? Seja provocado em

www.preliminAR.blogspot.com

O qual agradecemos por todo o apoio, thanks AR!

Sociofobia

Janeiro 18, 2007

Não, não falem comigo
Sim, sou seu inimigo
Não, não se aglomerem
Sim! Tenho sociofobia

Essa terrível alergia
Da eternidade suja e fria
A uma fé completamente profana
E de toda – toda – raça humana

Dogmatismo, amém!
Capitalismo, por cem!
‘Ismos’ e mais ‘ismos’ sem alegria
Isto é – sim – sociofobia
Ou talvez hipocondria

Uma liberdade doente
Do anarquismo carente
A uma utopia, ora, vencida
E uma enorme ferida
Que nunca – nunca – cicatriza

Dogmatismo, amém!
Capitalismo, por cem!
‘Ismos’ e mais ‘ismos’ sem alegria
O consumismo da matéria
Com certeza… é sociofobia

Um casal, duas pessoas

Dezembro 25, 2006

- Querida, o que você acha de uma viagem? Acho que longe daqui poderíamos reatar e reanimar nossos votos de amor. Sem interferência alheia, só eu e você, hein? O que me diz? Não se lembra de nossa lua de mel? Fora tudo tão perfeito, como deixar um sentimento bonito e verdadeiro assim morrer? Serei muito mais do já sou com você… não irá se arrepender!

- Não. Não tente corrigir agora pelo excesso o que se fez escasso até então. É tarde demais. Eu e você somos os mesmos, mas nossas vidas mudaram; já não fazemos um par. Nos perdemos em nossos sentimentos, já nos recuperamos antes é verdade, mas agora é como se o café fosse coado à exaustão… está amargo e frio. Não diga mais nada, adeus.

E assim, Antônio e Carla separaram-se.

Natureza

Dezembro 23, 2006

Quem ama a Natureza não a chama de ama
Nem a si se chama de amador
E seu âmago floresce como jovem flor
Mas se ignorância alguém emana, sua ira inflama
Punição com dor – uma terrível fúria proclama

Passa a raiva e a Natureza o abraça
E no peito lança calmaria e ternura
Orvalho, terra, aromas, chuva – Tudo se mistura
Quando lentamente ela se recupera da desgraça
Diante de tal figura não há crença que se faça

Só um canto surge com leveza e graça:
“Que a Natureza se refaça!”

Prisão de Ventre

Dezembro 21, 2006

A condenaram a não fazer merda
Mas qual é a aCUsação?
Ser dona de si mesma?
Ora, libertem o Ventre!