Aleatoriedade

Abril 26, 2009

Eu quero acreditar na aleatoriedade. Imagine se a vida fosse governada por uma
equação maluca, cada ponto, uma passagem da minha vida, uma decisão, um ato.
Eu ouvi uma vez que nossas células formam um padrão no espaço, em um ciclo de
vida e morte, a cada fração de tempo se organizam em um certo momento e
local. Imagine se isso fosse verdade com a nossa vida.
Uma coisa que aprendi com computadores é que elas são máquinas e máquinas não
são aleatórias, porém elas podem simular a aleatoriedade baseadas em certos
parâmetros que podem ser considerados aleatórios. Por exemplo, no momento em
que você liga o computador, quanto tempo você demora para mover no mouse ? Qual
a distância cartesiana que você percorre ?
Tudo isso é aleatório ou deveria ser.
Um dos problemas dessa simulação é que, probabilísticamente, com uma certa
dimensão, a simulação não é a mais aleatória e começa a descrever um padrão.
Fico pensando se nossa vida também não depende desse problema de dimensão. Se
nossas vidas durassem centenas ou milhares de anos, será que ela não começaria
a se repetir ? Como tartarugas que voltam ao mar para deixar seus ovos…
Então, olhando para um cardiograma… ele parece medir a potência de vida, com
uma ou outra distorção, parece sempre igual.
Voando mais alto, o futuro e o passado deixam de existir e se tornam uma coisa
só, incontrolável.
Tudo caminha como se tudo fosse matemático, mas mesmo assim, temos uma coringa
no baralho, o pi. Somos limitados para entender esse número, mas digo que
seria a fração de “vida” dentro de nós. Aquela que não quer ser compreendida,
mas apenas aceita e, às vezes, rejeitada.
Com o tempo, aprendemos a conviver com certas doenças. Eu penso de uma maneira
incontrolável, acho que todos tem uma parcela disso. Cada um lida de um jeito
com isso, uma maneira de alcançar um pequeno botão dentro de nós que faça
parar, atenuar um pouco o que parece não ter fim. Uma espécie de tormento
entre a racionalidade e a paixão, algo aleatório.
Hoje ouvi que temos que buscar a motivação dentro de nós. Acho que esse talvez
foi meu maior erro, sempre julgando, defendendo, criando teorias, opiniões.
Desculpas para desanimar ao invés de apenas cultivar uma motivação escondida
em névoas de medo. Erro, simplesmente um grande erro.
Uma aleatoriedade constante.

Uma resposta a “Aleatoriedade”

  1. AR Diz:

    “Uma espécie de tormento
    entre a racionalidade e a paixão, algo aleatório…”

    G de George
    G de Genial!

    :)

    O meu raciocínio é o mesmo, mas ao contrário: não parte da aleatoriedade, parte do “destino” ;


Deixe uma resposta