Burro

dezembro 4, 2009

Eu queria ser inteligente
Porque assim seria burro
Mas nem todo burro é inteligente
Alguns são burros, burros

Acho que sou um burro inteligente
Nem tão inteligente pra ser burro
Nem tão burro pra ser inteligente

Existência

dezembro 1, 2009

Filha da puta, morfético, sifilítico,
Desgraçado, maldito, cretino!
Não estou me descrevendo
Estou me escrevendo
Só pra lembrar de esquecer
Que aqui eu existo
Eternamente

Identidade

junho 11, 2009

RG, CPF, carteira de trabalho, motorista,
Carteirinha do clube, do supermercado, do jornal
Do cinema, da universidade, do plano de saúde
Seguro desemprego, aposentadoria, bancos e bancos

Tantos números, tantas identidades, muitos personagens
Viajando pela definição de alguém que talvez nem exista
Percorrendo os extremos, ficando sempre no meio termo
Quem é você ? De onde é ? Do que você gosta ? Ou odeia ?

Cada um se engana como quer
De uma vida simples e descomplicada até teorias complexas

Cada um se engana como quer
Seja na religião, política ou no dia-a-dia

Cada um se engana como quer
No jogo, no amor, paixão e no vício

Cada um se engana como quer
Na sua própria identidade

Mutabilidade

maio 4, 2009

É incrível como as coisas podem mudar

De 0 a 100 em um pequeno e breve instante

Eu gostaria é de romper distâncias

Gritar ao mundo a minha paixão, viver uma grande aventura

Deitar e realizar, acordar e continuar, simples assim

Talvez com você seja possível, mas não agora

Agora estou alucinado em meu mundo

Sempre mudando sem sair do lugar, um mutante constante

Esperando uma chance – “A” grande chance

Eu poderia criar, mas chega de artificialidades

Você diz em fazer acontecer, porém eu quero é que apenas aconteça

De 0 a 100 em um longo e demorado instante

É incrível como as coisas podem continuar

Aleatoriedade

abril 26, 2009

Eu quero acreditar na aleatoriedade. Imagine se a vida fosse governada por uma
equação maluca, cada ponto, uma passagem da minha vida, uma decisão, um ato.
Eu ouvi uma vez que nossas células formam um padrão no espaço, em um ciclo de
vida e morte, a cada fração de tempo se organizam em um certo momento e
local. Imagine se isso fosse verdade com a nossa vida.
Uma coisa que aprendi com computadores é que elas são máquinas e máquinas não
são aleatórias, porém elas podem simular a aleatoriedade baseadas em certos
parâmetros que podem ser considerados aleatórios. Por exemplo, no momento em
que você liga o computador, quanto tempo você demora para mover no mouse ? Qual
a distância cartesiana que você percorre ?
Tudo isso é aleatório ou deveria ser.
Um dos problemas dessa simulação é que, probabilísticamente, com uma certa
dimensão, a simulação não é a mais aleatória e começa a descrever um padrão.
Fico pensando se nossa vida também não depende desse problema de dimensão. Se
nossas vidas durassem centenas ou milhares de anos, será que ela não começaria
a se repetir ? Como tartarugas que voltam ao mar para deixar seus ovos…
Então, olhando para um cardiograma… ele parece medir a potência de vida, com
uma ou outra distorção, parece sempre igual.
Voando mais alto, o futuro e o passado deixam de existir e se tornam uma coisa
só, incontrolável.
Tudo caminha como se tudo fosse matemático, mas mesmo assim, temos uma coringa
no baralho, o pi. Somos limitados para entender esse número, mas digo que
seria a fração de “vida” dentro de nós. Aquela que não quer ser compreendida,
mas apenas aceita e, às vezes, rejeitada.
Com o tempo, aprendemos a conviver com certas doenças. Eu penso de uma maneira
incontrolável, acho que todos tem uma parcela disso. Cada um lida de um jeito
com isso, uma maneira de alcançar um pequeno botão dentro de nós que faça
parar, atenuar um pouco o que parece não ter fim. Uma espécie de tormento
entre a racionalidade e a paixão, algo aleatório.
Hoje ouvi que temos que buscar a motivação dentro de nós. Acho que esse talvez
foi meu maior erro, sempre julgando, defendendo, criando teorias, opiniões.
Desculpas para desanimar ao invés de apenas cultivar uma motivação escondida
em névoas de medo. Erro, simplesmente um grande erro.
Uma aleatoriedade constante.

Falta-me coragem para buscar a felicidade
Temo pela incerteza do acaso, dependendo da sorte
Fico inerte, entre a tristeza e a comodidade
Com o suporte da monotonia do dia-a-dia

Tenho também meus momentos de surpresa
Um conquista ou outra, algumas doses de vida
Ou talvez confunda meus passos com o girar da terra

Deito em desânimo, acordo por obrigação
Eu tento dizer, mas não sei se você escuta

Será que você consegue me ouvir ?

A Verdade

março 8, 2009

Diante da beleza sublime da verdade
Procuramos refúgios na doce mentira
Talvez pela falta de um paladar refinado
Do malte amargo da honestidade

Do vícios das drogas ao vício dos hábitos
Nos escondemos, nos protegemos da exposição
Das ações e das consequencias de nossas atitudes
E ainda que em pensamento, nos condenamos

Nos moldes do sofismo subvertemos as palavras
Até que justifiquem nossos atos
A razão e a loucura tornam-se frieza
E o que é verdade ou não ?

O Conserto

novembro 3, 2008

E se um dia você acordasse

Com um poder magnífico, o poder de um deus

Um poder ímpar, único e indivisível

E então percebesse a chance que ganhou

Poderia consertar o mundo e as pessoas

Tudo seria diferente, seria muito melhor

Mas a verdade sempre começa na mentira

E se quem precisa de conserto…

For…  você ?

O Poema Da Eterna Felicidade

fevereiro 14, 2008

Este é o Poema da Eterna Felicidade
Talhado épicamente em duas partes
A primeira parte

Esqueci
E a outra

Já acabou

A Traiçoeira

fevereiro 6, 2008

Da chuva cai gotículas em forma de medo
Que pluviosamente especulam meus pensamentos
Colorindo no branco, aquarelas em disfarçado

Segredo

Vão, penetram e nutrem as sementes em gestação
No grande mosaico fértil, cacos de desconfiança
E na chaga, a loucura do talvez ou do senão

Consumado

Se a justiça e a confiança são cegas irmãs
Nada resta além do cinza com o cheiro do verde
E quando cessar a distância saberei do amanhã

Ou não