Identidade

Junho 11, 2009

RG, CPF, carteira de trabalho, motorista,
Carteirinha do clube, do supermercado, do jornal
Do cinema, da universidade, do plano de saúde
Seguro desemprego, aposentadoria, bancos e bancos

Tantos números, tantas identidades, muitos personagens
Viajando pela definição de alguém que talvez nem exista
Percorrendo os extremos, ficando sempre no meio termo
Quem é você ? De onde é ? Do que você gosta ? Ou odeia ?

Cada um se engana como quer
De uma vida simples e descomplicada até teorias complexas

Cada um se engana como quer
Seja na religião, política ou no dia-a-dia

Cada um se engana como quer
No jogo, no amor, paixão e no vício

Cada um se engana como quer
Na sua própria identidade

Mutabilidade

Maio 4, 2009

É incrível como as coisas podem mudar

De 0 a 100 em um pequeno e breve instante

Eu gostaria é de romper distâncias

Gritar ao mundo a minha paixão, viver uma grande aventura

Deitar e realizar, acordar e continuar, simples assim

Talvez com você seja possível, mas não agora

Agora estou alucinado em meu mundo

Sempre mudando sem sair do lugar, um mutante constante

Esperando uma chance – “A” grande chance

Eu poderia criar, mas chega de artificialidades

Você diz em fazer acontecer, porém eu quero é que apenas aconteça

De 0 a 100 em um longo e demorado instante

É incrível como as coisas podem continuar

Aleatoriedade

Abril 26, 2009

Eu quero acreditar na aleatoriedade. Imagine se a vida fosse governada por uma
equação maluca, cada ponto, uma passagem da minha vida, uma decisão, um ato.
Eu ouvi uma vez que nossas células formam um padrão no espaço, em um ciclo de
vida e morte, a cada fração de tempo se organizam em um certo momento e
local. Imagine se isso fosse verdade com a nossa vida.
Uma coisa que aprendi com computadores é que elas são máquinas e máquinas não
são aleatórias, porém elas podem simular a aleatoriedade baseadas em certos
parâmetros que podem ser considerados aleatórios. Por exemplo, no momento em
que você liga o computador, quanto tempo você demora para mover no mouse ? Qual
a distância cartesiana que você percorre ?
Tudo isso é aleatório ou deveria ser.
Um dos problemas dessa simulação é que, probabilísticamente, com uma certa
dimensão, a simulação não é a mais aleatória e começa a descrever um padrão.
Fico pensando se nossa vida também não depende desse problema de dimensão. Se
nossas vidas durassem centenas ou milhares de anos, será que ela não começaria
a se repetir ? Como tartarugas que voltam ao mar para deixar seus ovos…
Então, olhando para um cardiograma… ele parece medir a potência de vida, com
uma ou outra distorção, parece sempre igual.
Voando mais alto, o futuro e o passado deixam de existir e se tornam uma coisa
só, incontrolável.
Tudo caminha como se tudo fosse matemático, mas mesmo assim, temos uma coringa
no baralho, o pi. Somos limitados para entender esse número, mas digo que
seria a fração de “vida” dentro de nós. Aquela que não quer ser compreendida,
mas apenas aceita e, às vezes, rejeitada.
Com o tempo, aprendemos a conviver com certas doenças. Eu penso de uma maneira
incontrolável, acho que todos tem uma parcela disso. Cada um lida de um jeito
com isso, uma maneira de alcançar um pequeno botão dentro de nós que faça
parar, atenuar um pouco o que parece não ter fim. Uma espécie de tormento
entre a racionalidade e a paixão, algo aleatório.
Hoje ouvi que temos que buscar a motivação dentro de nós. Acho que esse talvez
foi meu maior erro, sempre julgando, defendendo, criando teorias, opiniões.
Desculpas para desanimar ao invés de apenas cultivar uma motivação escondida
em névoas de medo. Erro, simplesmente um grande erro.
Uma aleatoriedade constante.

Falta-me coragem para buscar a felicidade
Temo pela incerteza do acaso, dependendo da sorte
Fico inerte, entre a tristeza e a comodidade
Com o suporte da monotonia do dia-a-dia

Tenho também meus momentos de surpresa
Um conquista ou outra, algumas doses de vida
Ou talvez confunda meus passos com o girar da terra

Deito em desânimo, acordo por obrigação
Eu tento dizer, mas não sei se você escuta

Será que você consegue me ouvir ?

A Verdade

Março 8, 2009

Diante da beleza sublime da verdade
Procuramos refúgios na doce mentira
Talvez pela falta de um paladar refinado
Do malte amargo da honestidade

Do vícios das drogas ao vício dos hábitos
Nos escondemos, nos protegemos da exposição
Das ações e das consequencias de nossas atitudes
E ainda que em pensamento, nos condenamos

Nos moldes do sofismo subvertemos as palavras
Até que justifiquem nossos atos
A razão e a loucura tornam-se frieza
E o que é verdade ou não ?

O Conserto

Novembro 3, 2008

E se um dia você acordasse

Com um poder magnífico, o poder de um deus

Um poder ímpar, único e indivisível

E então percebesse a chance que ganhou

Poderia consertar o mundo e as pessoas

Tudo seria diferente, seria muito melhor

Mas a verdade sempre começa na mentira

E se quem precisa de conserto…

For…  você ?

O Poema Da Eterna Felicidade

Fevereiro 14, 2008

Este é o Poema da Eterna Felicidade
Talhado épicamente em duas partes
A primeira parte

Esqueci
E a outra

Já acabou

A Traiçoeira

Fevereiro 6, 2008

Da chuva cai gotículas em forma de medo
Que pluviosamente especulam meus pensamentos
Colorindo no branco, aquarelas em disfarçado

Segredo

Vão, penetram e nutrem as sementes em gestação
No grande mosaico fértil, cacos de desconfiança
E na chaga, a loucura do talvez ou do senão

Consumado

Se a justiça e a confiança são cegas irmãs
Nada resta além do cinza com o cheiro do verde
E quando cessar a distância saberei do amanhã

Ou não

Literatice

Janeiro 31, 2008

“(…)
Então seremos todos gênios
quando as privadas do mundo
vomitarem de volta
todos os papéis higiênicos

Paulo Leminski

As editoras deveriam imprimir os clássicos
Não os best-sellers, esses são the worst
Em papéis higiênicos dupla-face, apáticos
Mas, sim, aqueles cuja prosa é poesia doce
E o que fazem da literatura por aí afora
Deixaria de ser, então, cruel metáfora

Tormento

Janeiro 14, 2008

Faz algum tempo que me sinto atormentado e não durmo bem, mas ainda durmo. Sabe, quando se rola pela cama e o sono não vem – é normal. Agora é diferente, só ganho um bom sono pelo cansaço e é por isso que escrevo estas linhas medíocres.

Não que eu seja espirituoso ou coisa parecida, mas acho que é a época do ano. Não lembro exatamente quando isso começou, mas não gosto muito dos finais de ano, isso está me deixando meio louco.
O que tenho feito é me dopar com coisas nerds, filmes e diversões baratas até cansar e vir o sono ou então escrever alguma coisa.
Escrever dá um certo alívio e imagino que quem escreva também sente algo parecido. Apesar disso, não é fácil. É como um furacão que começa em um lugar e sai andando sem direção até perder a força e assim é esse texto – e isso acaba comigo.

Tem uma música do Paul McCartney que diz sobre pensar sobre nós mesmos e ultimamente essas reflexões não estão sendo muito positivas. Imagine você como uma sombra do que um dia você foi, como se o presente e o futuro fosse um grande espelho quebrado refletindo um passado cada vez mais distante, definitivamente não é uma boa coisa.

Sim, eu poderia recorrer aos poucos amigos que sobraram, só tem um problema com isso: não tenho a mínima idéia de como fazer isso e algo me diz que preciso de novos amigos, uma coisa difícil nesses tempos modernos. A idéia de dizer ao meu melhor amigo “viu, me sinto atormentado e preciso de um pouco de paz, será que você pode me ajudar?”, não me parece boa porque sinto que isso o faria se sentir
muito mal em não poder fazer absolutamente nada para me ajudar. Além
disso, estaria levando mais um comigo pra um lugar que não conheço.
Amigos é pra essas coisas, provavelmente seria o que qualquer um diria,
mas eu discordo. Amigo é a coisa mais respeitável que alguém pode ter
enquanto se vive e definitivamente, amigos não são aqueles que você deseja levar ao inferno se for junto – não estou dizendo que vou, mas acho que me fiz entender.

Às vezes me pego pensando sobre pessoas que já morreram e no que diriam se vissem tudo isso ou se sentisse o que estou sentido e o que fariam no meu lugar, pra variar um pouco sinto como se houvesse uma certa cobrança. Não sei explicar bem isso e o que eu posso dizer é que a
sensação se parece com a do dia que você acorda, se olha no espelho e só
uma palavra ecoa entre você e sua imagem: farsa. E então você olha ao seu redor, vê todas aquelas pessoas que acreditam em você, pior, gostam de você de verdade e aquele sentimento maldito vai corroendo suas veias.

Acabei de reler tudo isso. Não sei se é piegas ou meio suicida, talvez seja uma carta do futuro que eu esteja escrevendo para alguém bem conhecido do passado: eu e como eu queria que fosse mesmo.

Nesses momentos você fica tentando rever sua vida, como um grande filme
e procura aonde foi o erro, nem preciso dizer que é inútil, preciso?
Erros existem aos montes na vida de qualquer um e qualquer deles
serviria de desculpa, mas “Oh, não é possível mudar o passado, mas é
possível mudar o futuro” – estou cansando dessas coisas. Já me entupi
delas, inventei umas e aprendi outras e nenhuma delas me serviu pra
nada. É tudo uma questão de momento, será que existe algo verdadeiro?
Algo que faça essa carta uma verdadeira obra de um senso humor um tanto macabro?

Acabei de achar algo, mas não faz esse texto engraçado: egoísmo e
humanidade. Isso é real e nem por isso bom.

Fico pensando se sou anti-social, se tenho medo das pessoas ou se as
odeio mesmo, difícil saber em qualquer madrugada, aliás, manhã.

Talvez uma loucura me faça sentir um pouco mais vivo, sabe alopração
mesmo, danação… falta coragem.
Gostaria de saber como é se encontrar em uma situação demente e cretina,
porque enquanto escrevo isso me parece quase como um conto de fadas, uma obra literária baixa e sem muita imaginação, essas coisas não podem ser reais. Não consigo imaginar um limite pra estupidez e talvez seja essa
uma das maiores que eu fiz, registrar esses pensamentos e torná-los
públicos. Acho que alguns ainda vão pensar se eu inventei isso ou se é
real – tem um pouco de humor nessa situação, mas acho que estraguei isso
agora.

Eu deveria falar de algumas pessoas aqui, em como elas são importantes e
tal, contudo isso só reforça o quanto eu desapontei elas, com meu orgulho idiota e a idéia que o mundo gira porque eu quero.
Definitivamente não. Pessoas burras, elas tiveram a chance de não se
envolver e agora é um pouco tarde para voltar atrás. Desculpa não cura
ninguém, nem perdoa – mas é só o que eu posso oferecer e mesmo assim não é totalmente sincero, porque ainda acho que nem tudo foi errado.

Sabe aquela sensação de que você acabou de fazer alguém muito mal?
Melhor parar com esse lixo e tentar dormir um pouco.

Uma vez eu li uma casal com costume bem diferente, o rapaz costumava
dizer “eu amo você” e a moça respondia “azar o seu” e ambos riam e havia
algo verdadeiro ali. Termino com essa mesma sensação, se você leu isso… bom, o que eu posso dizer além de “azar o seu”?

Pensando melhor tenho algo mais a dizer: não seja estúpido, ok?

Fim desse monólogo chato.